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A transformação
da figura do Manezinho da Ilha ocorreu a partir da década
de 80, quando foi criado o Troféu Manezinho da Ilha,
com o objetivo de resgatar o orgulho e o sentimento ilhéu.
A figura do manezinho foi moldada na região praieira,
com uma ponta de maldade pelo homem urbano, ganhando a cidade
diante da presença dos pombeiros, comerciantes que
vinham vender de tudo um pouco. E foi dessa forma que surgiu
a folclórica frase "mofas com a pomba na balaia",
resposta de uma mulher a um pombeiro que vendia pombas expostas
num balaio ao discordar do preço da mercadoria.
Na época, Florianópolis estava
sendo descoberta como pólo turístico, atraindo
o interesse de pessoas de outros estados e países em
busca da nossa qualidade de vida. A transformação
da cidade resultou na mudança de nossos hábitos
e costumes, novos sotaques fundiram-se ao nosso, as pessoas
já não se cumprimentavam mais na rua.
Era preciso nos convencer de que, apesar
das mudanças, continuávamos vivos. Afinal, o
manezinho é uma criatura onde qualquer definição
a seu respeito pode ser indefinida. Faroleiro, folgadão,
cínico, sentimental, criativo, hospitaleiro, ilhéu,
ilhado, feliz. O ilhéu não anda, flutua; não
fala, canta.
O seu bem querer é sincero. Orgulhoso
e convencido das generosas belezas da Ilha, ele, no alto do
Morro da Cruz, ao lado de um turista fascinado com a generosidade
de Deus com Florianópolis, provoca:
"Como é que pode, né?"
E assim, a figura do manezinho, genuíno
habitante da Ilha de Santa Catarina, com sua argúcia
e linguajar rápido, com os seus hábitos, crenças
e crendices, transformou-se num legítimo estado de
espírito
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